segunda-feira, 13 de junho de 2011

Capital do Império Inca

9 de Junho

Mais um dia daqueles em cheio, com muita actividade onde iria chegar a um dos sítios que mais me fascina à uns tempos atrás. A maravilhosa cidade de Cuzco, no meio da cordilheira dos Andes, outrora capital do Império Inca.
A chegada de avião a Cuzco às sete da manha, com o sol a nascer por trás das grandes montanhas andinas, é simplesmente fabulosa.
O avião faz um voo paralelo à cidade onde a conseguimos admirar, de ponta a ponta, onde o aeroporto, está colocado mesmo no meio da cidade. O voo faz uma volta para se alinhar com a pista e quase que as asas tocam na cidade. Fabuloso.
Cuzco é uma cidade situada a 24h de Lima de Bus, no meio da cordilheira dos Andes, a 3400 metros, e foi antes das invasões espanholas a capital do grande e fabuloso Império Inca.
É uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, com muita pobreza, mas que também tem crescido muito nos últimos tempos, muito graças ao turismo que se tenta desenvolver na região.
A povoação é maioritariamente Quechua, denominação do povo andino, que aos poucos vai abandonando as povoações e vem viver para a cidade. A grande cidade mais perto de Cuzco é Arequipa que fica a umas horitas de distância. 18 horas. É perto.
Cuzco é uma cidade com um património cultural enorme. Por um lado toda a historia do povo Quechua e do  seu rei, Inka (mais para a frente irei explicar melhor isto) e por outro toda a opulência dos monumentos Espanhóis que em 1500 chegaram ao pais e aniquilaram completamente todo um império, que actualmente ainda vai sendo descoberto.
Saí do Aeroporto e a temperatura fez se logo sentir para quem vinha do clima do Hawaii. Troquei as havainas e o calção de surf pelo meu caso de pensas de imediatoJ.
Tinha alguém à minha espera, que me levou ao Hostel e que eu tratei logo de asegurar que me fosse fazer uma visita guiada às pricipais zonas de Cuzco.
E assim foi. Tratei de tomar um pequeno almoço no Hostel, eram 9 da manha e já era o terceiro, tomar o nosso primeiro mate de Coca e o nosso guia já nos esperava.
Estávamos muito bem localizados, muito perto do centro de Cuzco.
É uma cidade com uma agitação enorme, com muita gente na rua, naturais e turistas, com muito tráfego e sente-se um bom ambiente.
Começamos com um breve passeio pela manha, uma excelente forma de começar uma manha em cuzco, com um dia de sol fantástico e com um céu azul …
Começamos por um mercado nativo, onde pudemos ver um pouco de tudo. Um mercado onde os naturais, que normalmente não têm muito dinheiro vão fazer as suas compras.
Tem a zona das carnes, dos peixes, das frutas, dos legumes, das flores, das comidas rápidas, onde se pode comer o famoso “Caldo de Rana”, que eu comi claro e onde se vêm as rãs mesmo ali ao lado a passear dentro de uma bacia. Ainda provamos uma fruta que não conheço o nome mas que era uma maravilha. Fiquei a saber que existem mais de 300 espécies de batata, uma raiz muito usada pelo povo andino. Um mercado muito diferente do que estamos habituados, que as pessoas olham para nós e nos interpelam para comprarmos qualquer coisa, constantemente, mas um mercado onde se vê muito pobreza e se apercebe que o conceito de limpeza, não é um fenómeno constante do povo Quechua. Há outros males bem piores.
Daí seguimos caminhando para o Templo do Sol. Espaço outrora construído para adoração do Deus Sol. O povo Quechua adora tudo o que vem da natureza, e as suas crenças funcionam muito em função disso. O Sol a Lua, o Condor, o Puma, a Serpente, são alguns exemplos claros da sua adoração à Pachamama (mãe terra).
Após a invasões dos espanhóis claro que grande maioria dos templos de culto Inka foram destruídos e foram sobre eles construídos templos referentes ao catolicismos. Com as buscas arqueológicas recentes têm se conseguido recuperar muitas ruínas referentes a este povo e perceber um pouco mais da sua origem, pois estes não deixaram nada escrito.
Depois de observar-mos as primeiras obras e famosas construções Incas dirigimo-nos para uma zona superior da cidade para conhecer algumas descobertas arqueológicas deste povo.
As ruínas de Saqsayhuaman é um lugar arqueológico fantástico no cimo da cidade de Cuzco, que na altura serviria como muralha de protecção para a cidade, mas no fundo, a sua principal função era um altar do povo Inca aos seus deuses. As altas paredes de pedra exercem uma força de atracção brutal sobre nós. Só precisamos de estar atentos.
Aqui podemos ter uma vista soberba sobre a cidade de Cuzco, e comecei a perceber um pouquinho sobre as crenças e costumes do povo Inca. A Cruz Andina, a serpente, o puma, o condor, o sol a lua, as estrelas…
O resto da manha foi passada entre ruínas e espaços arqueológicos. Visitamos espaços, que na altura funcionavam como zonas administrativas e algumas zonas de banhos.
O povo Inca, apesar de não ter escrituras, tinha e era muito avançado relativamente aos conhecimentos de astronomia. Um dos espaços que visitamos, que não me recordo do nome, era um espaço dedicado ao conhecimento e ao estudo das constelações. Senti uma energia vibrante neste espaço.
Retomamos ao centro da cidade de Cuzco e fomos directos para um mercado tradicional com artigos de artesanato onde podemos fazer algumas compras.
Os famosos gorros Quechuas, a enorme variedade de tapeçarias típicas da região, os diversos artigos artesanais decorativos, as pulseirinhas, fazem as delícias dos turistas que passam por estes lados. Eu não tenho é espaço, porque é tudo muito barato.
Com o passar do tempo esquecemo-nos de comer. Fomos para a Plaza Central de Cuzco que é o centro da cidade, uma praça muito bonita onde é ladeada por uma catedral imponente e uma igreja, e um conjunto de casinhas muito típicas que dão à praça um ar muito rústico e aconchegante.
Enquanto comíamos ainda fomos privilegiados com um concurso de folclore típico, mas de crianças. Foi muito giro. Todas vestidas com trajes típicos, deram muita cor e vida aquele fim de tarde na praça.
A última tarefa do dia era fazer um briefing com a empresa com quem nós iríamos realizar o Inca Trail no dia seguinte.
Depois de deixar a mochila pronta para as 5h30 o dia estava terminado e estava pronto para concretizar um sonho com mais de dez anos de existência.
















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