Alvorada novamente com chá de coca. Já vejo luz, aproveito para sacar umas fotos da aurora. Preparo a mochila e tenho omeletas na tenda de campanhaJ. Tratam-me bem.
O caminho começa a subir, apanho os primeiros raios de sol. Muita gente no caminho.
Chegamos a Runkurakai, a primeira ruína Inca que visitamos hoje.
Num lameiro a 3800 metros de altitude, com uma vista soberba sobre o vale Urubamba, os Incas, construíram um edifício que serviria de zona de descanso para os caminhantes que por ali passavam. Outros cronistas, identificam o lugar como um lugar de culto. O que é facto é que o espaço é fantástico e que nos transmite sensações muito boas. A vista é simplesmente… “amazing”.
É impessionante como é que homens à mais de 500 anos atrás foram capazes de construir um caminho como este. Ravinas inclinadas, estreitas passagens sobre enormes precipícios e desfiladeiros. É impressionante o trabalho que está aqui.
O caminho ziguezagueia pela encosta a baixo, numa descida que me faz tremer as pernas e os meus joelhos, se bem que em bom estado, começam a dar me algum sinal.
Vislumbro mais uma ruína, Sayacmarca.
Não acredito no que os meus olhos vêm. Uma ruína de um edifício Inca, no cimo de uma montanha, virado para um vale. Completamente enquadrado na paisagem. Parece que nasceu com a montanha.
Seguimos caminho para uma zona de almoço, um daqueles locais com infraestruturas rudimentares para os carregadores terem condições para nos prepararem um pelo almoço.
Para mim esta secção do caminho foi sem dúvida a mais bonita e a mais espectacular.
Aproveitei e até à próxima ruína, Phuyupatamarca, caminhei sozinho. Aproveitei o momento e só passou por mim um ou dois carregadores, apressados para montar um acampamento mais à frente.
Sozinho, sento-me varias vezes, as vezes nem sequer fotos tiro. Alguns momentos recordo só para mim.
Phuyupatamarca, zona militar e de descanso de viajantes, fica num alto… visão vertiginosa sobre a selva que está por baixo de mim. Estes tipos construíam em cada sitio, que eu vou vos dizer… são loucos, mas não são nada burros. Tinham as melhores vistas do Mundo. As fotos dão para perceber um bocadinho. Neste local conseguimos vislumbrar pela primeira vez a montanha de Machupichu… Estamos perto…
Vemos também uma zona de cultivo. Como não tinham espaço plano neste conjunto de montanhas em forma de agulha, cavaram sucalcos na terra de forma a poder aproveitar o espaço para cultivo. Visto de cá de cima Intapataka é linda. Hoje é local de descanso para quem passa por aqui, com excelentes vistas sobre Águas Calientes e o rio Urubamba e local de pasto para os Lamas que por ali passam.
Banho de água quente ao fim de três dias no acampamento.
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