terça-feira, 14 de junho de 2011

O caminho é fabuloso....

12 de Junho

Alvorada novamente com chá de coca. Já vejo luz, aproveito para sacar umas fotos da aurora. Preparo a mochila e tenho omeletas na tenda de campanhaJ. Tratam-me bem.
O caminho começa a subir, apanho os primeiros raios de sol. Muita gente no caminho.
Chegamos a Runkurakai, a primeira ruína Inca que visitamos hoje.
Num lameiro a 3800 metros de altitude, com uma vista soberba sobre o vale Urubamba, os Incas, construíram um edifício que serviria de zona de descanso para os caminhantes que por ali passavam. Outros cronistas, identificam o lugar como um lugar de culto. O que é facto é que o espaço é fantástico e que nos transmite sensações muito boas. A vista é simplesmente… “amazing”.
Continuo a subida e a paragem é no “Runkurakai Pass” um colo a quase 4000 metros, que nos faz a transição entre vale Urubamba e o Aubamba. Já não tenho mais adjectivos para definir as vistas. No colo a junta-se toda agente para sacar fotos. Fujo para cima de um pico um pouco mais isolado, para estar mais tranquilo… uau….
Tenho uma vista fabulosa para os dois vales, vejo bem lá em baixo o sitio onde dormi, e vejo o que vou descer. Vertiginoso. Montanhas de cinco e seis mil metros com os cumes brancos tornam a paisagem encantadora e faz me sentir bem. É o meu mundo.
É impessionante como é que homens à mais de 500 anos atrás foram capazes de construir um caminho como este. Ravinas inclinadas, estreitas passagens sobre enormes precipícios e desfiladeiros. É impressionante o trabalho que está aqui.
O caminho ziguezagueia pela encosta a baixo, numa descida que me faz tremer as pernas e os meus joelhos, se bem que em bom estado, começam a dar me algum sinal.
Vislumbro mais uma ruína, Sayacmarca.
Não acredito no que os meus olhos vêm. Uma ruína de um edifício Inca, no cimo de uma montanha, virado para um vale. Completamente enquadrado na paisagem. Parece que nasceu com a montanha.
Este edifício, para mim dos mais bonitos ate agora, servia como um posto de controle e serviço administrativo para os que naqueles tempos cruzavam aqueles caminhos. Não falta uma zona sagrada de adoração ao Deus Sol, e um altar natural como um agradecimento à própria montanha. Fantástico. Fizeram um altar e na zona sagrada, deixaram intacta uma rocha da montanha. Mostram o seu agradecimento através das suas construções a Terra que tanto veneravam.
Seguimos caminho para uma zona de almoço, um daqueles locais com infraestruturas rudimentares para os carregadores terem condições para nos prepararem um pelo almoço.
Nitidamente mudamos de clima. O caminho entra numa zona de selva, muito mais verde e com plantas muito mais exóticas, que criam no caminho espaços escuros e húmidos onde podemos mesmo sentir frio num dia de sol quente.
Para mim esta secção do caminho foi sem dúvida a mais bonita e a mais espectacular.
Aproveitei e até à próxima ruína, Phuyupatamarca, caminhei sozinho. Aproveitei o momento e só passou por mim um ou dois carregadores, apressados para montar um acampamento mais à frente.
O caminho segue pelo topo das montanhas, íngremes e vertiginosas, com cumes bastante afunilados, em forma cónica. O caminho foi literalmente escavado na rocha, e algumas passagens podem aos menos audazes criar algumas vertigens na sua passagem. O caminho, em algumas zonas, segue pela crista, acompanhando o perfil da montanha, que nos permite ter vistas de 360 graus que não tenho palavras para descrever.
Sozinho, sento-me varias vezes, as vezes nem sequer fotos tiro. Alguns momentos recordo só para mim.
Phuyupatamarca, zona militar e de descanso de viajantes, fica num alto… visão vertiginosa sobre a selva que está por baixo de mim. Estes tipos construíam em cada sitio, que eu vou vos dizer… são loucos, mas não são nada burros. Tinham as melhores vistas do Mundo. As fotos dão para perceber um bocadinho. Neste local conseguimos vislumbrar pela primeira vez a montanha de Machupichu… Estamos perto…
Vemos também uma zona de cultivo. Como não tinham espaço plano neste conjunto de montanhas em forma de agulha, cavaram sucalcos na terra de forma a poder aproveitar o espaço para cultivo. Visto de cá de cima Intapataka é linda. Hoje é local de descanso para quem passa por aqui, com excelentes vistas sobre Águas Calientes e o rio Urubamba e local de pasto para os Lamas que por ali passam.
Banho de água quente ao fim de três dias no acampamento.
































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