terça-feira, 14 de junho de 2011

Inca Trail - o inicio:)

1 de Junho de 2011

É verdade… estou prestes a realizar um sonho.
Lembro me de ser adolescente e começar a ouvir falar da cidade de Cuzco, da cidade perdida de Machupichu, do Inca Trail, da ligação do povo Inca com a natureza.
Tudo isto e mais alguns factores me trouxeram aqui. Estou prestes a fazer um trek de 4 dias que vai culminar na cidade perdida de Machupichu,  no ano do centenário da sua descoberta.
Como apaixonado pela natureza que sou, estes próximos 4 dias vão ser uma experiencia única e marcante para mim e tenciono vive-los de forma plena para conseguir sentir e viver o verdadeiro espírito de Machupichu na sua plenitude.
É de certeza um dos treck mais famosos do mundo, e de certeza o mais famoso da America do Sul. São 4 dia em pleno terreno de montanha, quase sempre acima dos 3000 metros de altitude, com passagens acima dos 4000 metros, de dificuldade moderada, onde podemos viver 4 dias de pleno contacto com povoações isoladas do interior dos Andes, podemos caminhar por caminhos construídos e utilizados pelos quechuas à mais de 700 anos atrás, e vislumbrar paisagens e montanhas fabulosas que não à palavras e imagens que as descrevam.
Eram 6 da manha e estava à porta do hostel de mochila as costas à espera pelo tranporte que me levaria a Piscacucho o famoso km 82, onde começa o Inca Trail.
Essa viagem foi um bocado turbulenta. Não consegui dormir muito, e também não posso precisar ao certo quanto tempo foi, mas certamente mais de duas horas. Tive aqui o meu contacto com os nossos heróis carregadores que nos iriam acompanhar neste sonho.
Antes do km 82, paramos na última povoação,Ollantaytambo, o último sitio com algum cheiro a civilização, onde me deliciei com uma excelente panqueca e um mate de coca para dar energia para caminho, num cafezito muito humilde.
Depois das devidas burocracias para entrar no caminho, iniciamos a nossa marcha cerca das onze da manha.
Com o intuito de preservar toda a cultura e a história, e evitar a degradação do caminho, só são permitidas a entrada por dia neste caminho a 500 pessoas, incluindo carregadores e guias de montanha. Para obter um permit para fazer o Inca Trail é necessário faze-lo com muito tempo de antecedência, no meu caso fi-lo com seis meses de antecedência.
O plano de marcha para o dia era muito fácil. 10 km em terreno plano, estilo caminho arenoso, de fácil acesso. Iríamos subir dos 2750 até aos 3000 metros.
Com o rio Urubamba à nossa esquerda fizemos o caminho de forma bastante tranquila, íamos constantemente sendo ultrapassados pelos “porteadores”, carregadores como nós lhes chamamos, que me deliciaram durante toda a viagem (mais tarde irei falar deles).
O caminho como disso é plano, com ligeiros desníveis, facilmente transpostos, cruzamo-nos com locais que viveis em pequenos locais, que não chamo civilizações, que vivem da agricultura local e da venda de água e snacks aos caminhantes que passam por aquelas paragens.
Num destes locais, locais também de descanso somo surpreendidos. Chegou a hora do almoço. Estava à espera de dumas sandes, uma peça de fruta, e umas coisas assim.
Pois, assim não foi. A esta hora, os meus amigos carregadores tinham montado uma pequena tenda, onde de um lado cozinhavam e do outro tinha uma mesa para podermos comer com alta qualidadeJ. Fiquei completamente surreal, não estava nada à espera.
E a comida?? Deliciei-me.. Sopa quente, pão de alho para entrada, e depois um lombo saltado e para terminar uma chá de coca. Tudo feito pelos carregadores, mesmo ali à nossa beira. Fabuloso.
Depois de sair do estado de choque, no bom sentido claro, iniciamos de novo a marcha até um lugar onde podemos observar as primeiras construções, já recuperadas e ainda em recuperação dos tempos dos Incas.
Vislumbramos e admira-mos Llaqtapata ePulpituyuq. Seriam ambas locais, pequenos locais que os quechuas usavam para descansar nestas paragens.
Antes de mais vamos esclareces aqui algumas dúvidas. Nunca existiram incas. Existiram sim Quechuas, que tinham como rei o Inka. Por isso os incas nunca construíram nada, como é típico dos reis. Quem constrói são mesmo os Quechuas.
Podemos falar em construções dos tempos dos Inkas.
Seguido o caminho chegamos a uma pequena povoado onde iríamos ter o nosso primeiro acampamento. Mal chegamos ao local, tenhamos as tendas montadas, prontas a podermos descansar um pouco. Digo eu para mim: não estou nada habituado a isto. Os carregadores trataram de tudo.
Tempo para sacar algumas fotos, descansar os pés e um pequeno banho de dodotsJ.
Hora de jantar. Estes tipos não para de me surpreendes.
Com os fogões a gaz e com aqueles sacos de 20 quilos que trazem às costas conseguem fazer-nos um jantar com truta, pareceu-me panada, com um arroz e umas batatas espectaculares. São de facto fabulosos e extremamente prestáveis estes carregadores, que nos percebem, mas não falam sequer espanhol. Falam a língua nativa, o quechua, que tento também aprender alguma coisa.
Estou no meu Mundo, debaixo de um céu estrelado como nunca, com a minha tenda, a minha mochila, só me faltam mesmo aqueles que me costumam acompanhar nestas aventuras e os outros que me dizem muito para estar completamente feliz.
Deito-me no meu saco cama e agradeço.











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