22 de Junho
O dia começa cedo. Não tenho tido descanso.
Vou fazer a estrada da morte na Bolívia, uma das estradas mais perigosas e sinuosas do Mundo.
Desloco-me para a companhia que me vai proporcionar fazer uma descida em bicicletas de down hill, durante 65 km, sempre a descer e que vai dos 4700 metros de altitude até aos 1200.
A uma hora de viagem do centro de La Paz, chegamos aos 4700 metros, tomamos um pequeno-almoço rápido, porque aos 4700 metros de altitude as 8 da manha não faz calor. E não fez mesmo, nesse momento começou a nevar. Nesta viagem consigo apanhar todo o tipo de climas e as alterações climáticas são constantes.
Passam por mim camionetas de passageiros, pintadas com desenhos diversos, camiões com pessoas, com animais, carros e carrinhas cheias de gente são uma constante.
Actualmente a “estrada da morte” está cortada ao trânsito convencional e é uma atracção turística. Foi construída uma estrada alternativa, por onde circula o trânsito, mas é impressionante pensar como poderia este transito todo circular por uma estrada como a que vou percorrer nos próximos quilómetros. Ainda não consigo conceber isso na minha cabeça.
A estrada percorre vales assombrosos, em ambiente de selva e a estrada é literalmente escavada por entre as vertiginosas paredes das montanhas que ladeiam os vales.
É tudo muito verde e húmido, deixamos o frio à medida que vamos descendo e começo a perceber o porque dos milhares de vidas perdidas nesta estrada.
Cada curva que se passa é também a possibilidade de se perder a vida. Olhar para os limites da estrada mete literalmente medo.
A estrada passa por debaixo de cascatas que correm sobre a estrada, tem passagens estreitas e muito serpenteadas.
Apesar do nevoeiro que se faz sentir, a estrada e o ambiente em redor com montanhas altas e paredes vertiginosas, é simplesmente lindo e místico.
Paramos numa cruz onde só de uma vez se perderam 80 vidas. É impressionante e choca-me. Respiro fundo.
A descida é fantástica, é uma adrenalina que me sobe à cabeça a cada curva que dou.
Por duas vezes vi o mesmo rapaz do meu grupo a espalhar-se no chão, uma delas assustei-me
Estava me a sentir confortável e pedalar perto dos limites da estrada era o top da adrenalina. Fiz isso algumas vezes mas quase nem respirava por alguns segundos. Não ver os limites do vale à minha esquerda fez-me sentir medo. Uns centímetros ao lado e tudo acaba.
O ritmo de descida é rápido e entusiasmante, e a estrada também acaba rápido. Adorei.
No final um duche para tirar toda a lama e um almoço antes de retornar a La Paz.
O final da tarde foi de preparação logística da próxima aventura.
Huayna Potosi, uma montanha de 6088 metros.
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