quarta-feira, 8 de junho de 2011

IRONMAN 70.3 HAWAII

O dia da prova…
Este dia prometia.
Eram 4 e meia da manha e levantava-me da cama. Sentia-me descansado, nada nervoso e bastante relaxado.
Um pequeno almoço bastante nutritivo e as 5 e meia da manha já estava em Hapuna Beach o local onde se riria realizar a prova.
Eram 1900 metros a nadar em águas abertas na baía de Hapuna beach, 90 km de bicicleta e por fim 21 km a correr nas imediações do hotel da prova.
Entao na aurora dessa manha chegamos a Hapuna realizamos os últimos passos da logística para a prova… Estavam centenas de pessoas neste espaço. Um ambiente incrível, com atletas, com famílias, com amigos, com familiares, com organização, uns para competir, outros para vencer, outros para terminar, outros para se tentarem superar…. Para toda esta envolvência é difícil encontrar palavras para a descrever…
As sete horas chegaram muito rápido e a calma e o relaxamento dos minutos antes da prova, rapidamente se perderam e mal entrei na agua, a calma transformou-se em adrenalina e nervosismo…
Estavam imensas pessoas para fazer a prova. Quase 1800… foi o record daquela prova.
Entrei na agua, e dirigi-me para as bóias. Ia ouvindo os conselhos do Antonio e ia me posicionando consoante as suas instruções. Perdi o pé… olhei para a praia e estavam imensas pessoas atrás de mim… pensei, estou aqui, e vou dar o meu melhor…
Comecei a ventilar mais forte para ver se me adaptava melhor e tentava baixar um pouco a adrenalina.
Neste momento toda a gente berra, grita, à espera o tiro de canhão e eis que ele aparece. Partida…
Começo a nadar, levo uns encontrões, umas chapadas e cotoveladas, mas também tenho consciência que dou.
Já sabia que até à primeira bóia não ia ser fácil. Luto para ir para a frente e tentar ganhar espaço para poder nadar. Sinto me a ventilar muito, e muito tenso e tenho consciência que preciso de relaxar mais a nadar. Tento olhar um pouco para o fundo da água. O fundo do mar é lindo e o sol está mesmo a nascer.
Não é fácil chegar à primeira bóia, são pra í uns cinco minutos sempre a levar cacetes de todo o lado, mas graças a Deus nem foi muito mau… Depois da primeira bóia, os atletas dispersam um pouco, e a coisa fica um pouco mais fácil.
Começo a sentir-me muito ais relaxado e a tirar um enorme prazer de estar a nadar naquelas águas.
Estava em competição, no IRONMAN… Aproveita o momento Tiago…
A saída da água estava próxima, estavam feitos os 1900 metros em 35’ e qualquer coisa, nada mau, pensei eu.
Ui, senti as minhas pernas pesadas mal começaram a subir em direcção à minha bike.
Impressionante a sensação de primeiro apoio do público. É fantástico sentir o calor das pessoas naqueles momentos.
Concentrei-me, troquei-me e queria era começar a pedalar.
Sentei-me em cima da bike e começamos logo a subir. A primeira hora e meia de prova foi dura. O circuito é feito numa estrada junto á costa oeste da ilha, sempre com fantásticas vistas para o mar, e chega até à ponta norte da ilha e depois fazemos todo o percurso de regresso até ao hotel.
Estava me a sentir bem, forte e bem tranquilo nesta primeira hora e meia, passei por muita gente, fui passado também por alguns.
Tentei aproveitar aquele momento ao máximo, viver toda aquela experiencia da melhor forma possível.
É impressionante o espírito de equipa que se vive ali, mesmo entre atletas.
Apoiamo-nos uns aos outros, trocamos palavras de incentivo e ajuda. Brutal.
Mantive um ritmo alto e estive sempre a lutar. Chegado ao ponto mais alto, à ponta norte da ilha, fazemos o retorno e temos cerca de 40 km para fazer mais, com bastante descida, mas muito terreno misto à mistura.
Comecei a descer e senti-me a baixar o ritmo, não gostei muito.
Aproveitei para comer qualquer coisa e hidratar melhor em todos os postos de abastecimento.
Muita gente passou por mim nesta altura. Senti-me cansado nesta fase.
Ao final de 2h46’ cheguei ao final dos 90 km…
Passei o chek point, entreguei a minha bike a alguém e procurei ansiosamente o meu saco com as minhas sapatilhas para começar a correrer.
Os meus últimos Kms de bicicleta, deixaram-me bastante nervoso, mesmo ansioso, sentia que estava a ficar cansado e perder energia que não queria. Nos últimos metros da bike e inicio da corrida bloqueei.
Calcei-me rápido e comecei a andar. Só me lembro de pensar: Meu Deus, como eu estou!!
Bati mal…. A primeira milha e meio, foram os priores momentos da minha vida.
As minhas pernas tinham caimbras em tudo quanto é musculo, tinha o quadricipite a torcer literalmente nas duas pernas, a parte posterior encurtava e não fazia o que era suposto fazer de seguida, alongar.
Acho que chorei de dores, mas também pensei nos meus pais, na minha família e amigos e pedi-lhes para me enviarem forças.
Acho que por momentos senti-me em choque.
Parei para tentar alongar e caí literalmente ao chão, pus-me de imediato em pé, e alguém passa por mim e me diz “Don’t give up Tiago” (num sotaque americano claro).
Levantei-me, começo a correr, a mito custo e dou por mim a falar sozinho. Eu sabia exactamente o que estava a acontecer ao meu  corpo, sabia que se aquelas caimbras não me passassem rapidamente, poderia estar tudo em causa, e punha em causa todo o meu esforço durante uma serie de meses.
Concentrei-me, esqueci as dores, baixei ligeiramento o ritmo para um ritmo de jogging, melhorar bem a técnica da passada e os planos eram para nos próximos pontos de abastecimento hidratar bastante bem.
Lentamente as milhas iam passando e dava comigo a dizer “Sangue para as peras Tiago”. Tinha a conscinecia de que quanto mais sangue tivesse a circular nas pernas a um ritmo lento, melhor seria para a recuperação das caimbras. E Assim foi.
Comecei a sentir a perna esquerda a alongar melhor a cada passada e comecei a sentir-me melhor. Depois foi a vez da perna direita. SorriJ
Mas continuava muito cansado.
Estamos constantemente a ser ultrapassados ou a ultrapassar outros com as mesmas ou piores dificuldade que nós. Estamos limitados porque não podemos fazer nada para alem de trocarmos alguma palavras de força e incentivo.
O publico vai aparecendo agora com mais frequência e dá-nos uma ajuda fenomenal.
As milhas iam passando a muito custo. Tinha mais de 4 horas de exercício intenso em cima e começava a sentir os limites do meu corpo.
O pessoal dos pontos de abastecimento é fenomenal, e queria deixar aqui a minha homenagem e o mais sincero obrigado a todos aqueles voluntários, novos e velhos, crianças até, se disponibilizaram para nos vir ajudar e a lutar connosco. São incansáveis. São fantásticos. Agradeço-lhes do fundo do meu coração.
Começava-me a doer muito tudo. Tentava não pensar demasiado nisso. Estava imenso calor. Tentava não pensar muito nisso. Tinha os pés completamente encharcados da transpiração e da quantidade de água que vertia sobre o meu corpo em cada ponto de abastecimento que passava.
Ora a subir, ora a descer, ora nos caminhos de um campo de golf, ora numas estadas que pareciam estar no meio do deserto, as milhas iam passando e eu lá me ia arrastando a muito custo…
Parei como nunca pensei que ia parar, sofri como nunca pensei que ia sofrer, mas também cresci como nunca pensei que iria crescer.
Acho que sorri, berrei, chorei, sei lá… é emaranhado de sentimentos e sensações que é difícil explicar.
Depois de uma recta interminável de quase 4 milhas, é tenebrosa, horrorosa é o pior de tudo, mas tinha acabado, faltam pouco mais de uma milha…
Estava estourado, só queria parar… cá dentro algo mais forte dizia:”Puto continua”
Vi o hotel, acho que me caiam lágrimas dos olhos e lá continuava.
O aproximar da meta é fantástico, ladeado por algumas centenas de pessoas a vibrar a berrar, a incentivar e a ter estes comportamentos todos na forma mais pura que podiam ter…é lindo.
Lembro me que nos momentos antes de cruzar a meta, agradecer, agradeci, lembrei-me da minha mãe, do meu pai, da minha irmã, e de mais algumas pessoas que adoro…




Voltei os olhos e as mãos para o céu e cruzei a metaJ, depois caí no chão…
Levantei-me, tirei uma fotos…
A prova acaba mesmo à beira do mar. sentei-me sozinho, tentava alongar mas as minha pernas entravam de imediato em contracções brutais e dava-me cãibras insuportáveis.
Agradeci, enquanto me caiam algumas lágrimas… mas cheguei ao fim em 5h39’e 41’’.
Para mim, FANTÁSTICO FABULOSO, estou orgulhoso de mim…J
O resto do dia fo para comer, repor energias e vibrar com o ambiente contagiante da provaJ.







1 comentário:

  1. Espectáculo Tiago! Adorei ler.. senti tudo, eheheh

    Estou muito orgulhosa de ti ;)

    Beijinho muito grande de PARABÉNS.

    És um verdadeiro IRONMAN !!

    Sandra

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