quinta-feira, 16 de junho de 2011

Por uns dias isolado na Amazonia

14 de Junho
 
Depois do fantástico dia de ontem, cheio de sensações novas proporcionadas pelo ambiente místico de Machupichu, os meus próximos dias vão ser passados na Selva.
Viajei para Puerto Maldonado, um povoado de 90000 habitante na Selva Amazónica Peruana.
O dia começa mais uma vez bem cedo. Ainda não bem recuperado fisicamente e emocionalmente dos dias anteriores apanhamos um voo até ao pulmão do nosso planeta TerraJ.
Acabados de chegar a Puerto Maldonado uma placa com o meu nome me esperava à porta do aeroporto.
Está um bafo. Saímos de Cuzco com temperaturas de 5 graus e em menos de uma hora de voo, estamos num clima tropical de 30 graus.
Sou encaminhado para uma Toyota Hiace, daquelas bem antigas, com um ar abatido e empoeirado. Fantástico. Tinha passado os últimos dias a dizer que não me ia embora sem andar numa coisa assim. Estamos mesmo na Selva.
Na carrinha, uma senhora chama Cristina, com quem tinha contactado esperava por mim. Seguimos para o Office da sua empresa onde me fazem um briefing geral sobre o local onde me encontro, geografia, fauna e flora do local e me explicam o programa para os próximos dias.
SigaJ. Estou entusiasmado, falam me logo em arvores de 500 anos, serpentes, tarântulas maiores que um punho, viagens de barco, aves exóticas, piranhas, são motivos que chegue para me aliciarem.
Puerto Maldonado é uma cidade pequena e parece-me bastante pobre. O curto espaço de tempo que aqui estive deu para perceber que tudo está muito desorganizado, casas e construções muito rudimentares, sem nenhuma ordem ou critério. Toda a gente se movimenta de mota. É impressionante a quantidade de motas, motocicletas e afins que se vê na rua a circular. Claro que o trânsito é um caos.
Dou uma volta pela praça central e logo sou encaminhado para um pequeno porto onde me espera um bote que me vai levar rio Tambopata acima durante três horas.
Um bote com uns 5 metros de cumprimento, com alguns locais como companhia, vai me proporcionar uma viagem super relaxante e tranquila.
O Rio Tambopata é um rio que nasce na zona sul do Peru, nas altas montanhas de Puno, continente Sul americano acima, após várias junções com outros rios vai desaguar no amazonas e posteriormente no Oceano Atlântico.
Minutos depois de iniciar da viagem o Dino, um jovem simpático que me vai acompanhar nos próximos dias como guia oferece me uma folha grande, dobrada e atada com um cordel e diz me que é uma surpresa.
Abro a folha com cuidado, lá dentro um arroz ao mais alto nível, com um aspecto…
Quem me dá arroz sabe que é o melhor que me podem darJ
Uma mistura de arroz integral, com vegetais, ovo e carne de soja, com o nome de “guanes”, um prato típico da selva, fizeram a minha delícia naquele momento.
As margens verdes contrastantes com a cor barrenta que o rio trazia era a paisagem dominante naquele momento. Volta e meia cruzávamo-nos com um outro barco.
As quase 3 horas de viagem rio acima deram para conversar um pouco com o Dino. Cultura peruana, estilo de vida na selva, vida selvagem, fauna e flora foram as conversas dominantes naquele momento, alternando com momentos em que só ouvia o motor de 60 cavalos rio acima e me perdia na paisagem.
Numa curva do rio, por entre a lama da margem, aparece como que escavadas no terreno lamacento umas escadas de acesso ao nosso lodje.
O lodje, é uma construção, utilizada neste tipo de turismo, em que se preserva a construção só com materiais oriundos da selva. Pretende-se eliminar aqui todos os vícios e costumes das construções citadinas.
Saí do bote e 5 minutos caminhando, nos primeiros passos selva dentro, encontro o lodje onde vou passar os meus próximos 3 dias.
É brutal.
Cabaninhas, sem luz eléctrica, sem vidros, tudo em madeira, elevadas do solo a um metro, criam um ambiente ainda mais aconchegante na selva. É mesmo giro.
Sou recebido pela senhora Eva que me oferece um sumo e me dá as boas vindas.
É me mostrado a minha habitação e todas as infra-estruturas.
É um espaço rodeado de selva, árvores altas e vegetação densa que não permite que a nossa visão seja muito longínqua. Tem um edifício central com vários quartos e uma sala ampla com camas de rede. Tudo virado para a selva e sem vidros rigorosamente nenhuns. Os telhados são feitos com folhas secas. Mesmo mesmo cabaninhas.
Este edifício tem ligação para um outro que é o refeitório e cozinha, amplas, onde temos sempre à disposição fruta, café e chá.
Estou alojado numa cabaninha independente ligeiramente afastada. Este lugar é simplesmente delicioso.
Depois de acomodado, escurece muito rápido, sou convidado a participar numa marcha nocturna na selva.
Oportunidade de ver a vida selvagem, os rituais dos insectos, as árvores invulgares, as árvores centenárias, as suas histórias e lendas, as tarântulas, as formigas esquisitas. Os sons da selva, o barulho dos insectos, o chilrear ou barulho mesmo de alguma ave é constante e tornam o ambiente agradável.
Já passei milhares de horas na natureza, mas este ambiente é incomparável. Faz me viajar…
Chegar ao lodje, já noite bem escura antes de jantar, foi um cenário de encanto. Um ambiente rústico, cheio de candeeiros artesanais a petróleo a dar luz, a iluminar os espaços e caminhos no meio do lodge. Giríssimo…
Entre um jantar de comida com sabores típicos da selva e uma conversa enriquecedora com o Dino sobre costumes e curiosidades, sou assolado por um sono do outro Mundo.
Só tenho tempo de verificar que não existe água quente para tomar banho, envolver a minha cama com uma rede, tipo tenda.


















Apago a velinha e adormeço.

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