quinta-feira, 16 de junho de 2011

Um dia na Selva

 15 de Junho

 A noite na cabana foi fantástica, não me lembro de adormecer.
As 5h chamam-me. Tenho que me levantar mais cedo porque já me esperam no bote para ir ver as aves da selva a acordar. Confronto quase imediato com uma tarântula que se assusta com os meus passos e corre para o seu ninho.
A alvorada no bote e ver a selva a acordar é um momentos que nunca mais me vou esquecer.
Desgraça, a minha máquina não funciona. Simplesmente não dispara. Estou feito. Por isso é que trouxe outraJ. Suponho que seja a humidade que se faz sentir que não deixe a máquina funcionar nas melhores condições. Depois resolvo o problema.
Após um breve viagem, atracamos numa margem lamacenta, subimos um pouco em silêncio e entramos num espaço construído de propósito para a observação de aves. Uma estrutura rudimentar, muito semelhante aquelas que existem em Portugal.
Uns breves momentos completamente em silêncio e começamos a ver e a ouvir as aves despertar.
Estamos virados para uma parede de terra, grande e sem vegetação, muito perto do rio. A dieta das aves no inicio do dia é caracterizada por sais e açucares, é quase o seu pequeno-almoço e vêm a estes lugares para se satisfazerem.
A mãe natureza, esta muito bem organizada sem dúvida.
Primeiro aparecem as pequenas aves. Com ajuda de uns binóculos podemos ver as suas cores e as suas formas. Aves que não estamos habituados a ver tornam colorida a nossa visão e o chilrear que fazem criam um ambiente bastante tranquilo.
Vai amanhecendo. As aves mais pequeninas dão lugar às maiores. Aparecem os tão famosos papagaios e os louros, e observamos atentos os seus comportamentos matinais.
É delicioso ver o amanhecer destes bichos, tornam a nossa alvorada suave e colocam-nos bem dispostos.
De regresso ao lodje para um pequeno almoço reforçado e durante o resto da manha espera-nos uma pescaria e um passeio bem agradável pela selva.
Caminhamos em direcção a uma lagoa enquanto, atentos, ouvimos explicações sobre árvores e frutos e animais que se vão cruzando no nosso caminho. Uau. Cruzamo-nos com pegadas do maior predador da selva. O Jaguar.
Sou envolvido pelos sons da selva, é único.
O lago é lindo. Agua escura, rodeado por margens de arvores altas e uns catamarans muito artesanais, esperam-nos para um passeio no lago.
O lago não tem ninguém, está deserto, tem cerca de 3 km de comprimento, é albergue de uma família de lobos do rio, que ocupam o lugar cimeiro da cadeia alimentar, e piranhas que buscam comida nas margens verdes. Aves exóticas são possíveis ser observadas a gritar nas margens. O catamaran, assim identificado, não é nada mais que duas canoas ligadas por umas tábuas e com uns rudimentares bancos. A propulsão é a remos J.
Tranquilo, tenho oportunidade de tirar fotos a borboletas que me abordam e se contentam com o sal da minha pele. Giríssimo.
Com umas canas rudimentares e um pouco de frango cru tento a minha sorte na pesca de piranhas. Depois de uma dúzia de tentativas vejo que em vez de pescar estou a alimentar as piranhas, ao contrário de outros companheiros que têm mais sorte que eu.
Ao contrário do que pensava e da ideia que tinha, as piranhas são uns peixinhos simpáticos, parecidos com o Nemo, mas no momento de abrir a boca têm umas garras bem afiadas e metem medo.
Com o barco já longe da margem, tiro a roupa e lanço me ao rio num mergulho sem pensar muito, nada aflito para cima do barco. Está feitoJ.
De regresso ao lodge para um almoço e um descanso merecido.
Com as energias retemperadas, foi altura de visitar uma “chakra”. É um lugar no meio da selva, nde agricultores cultivam todo tipo de fruta e vegetais, que seguem de barco até à povoação mais próxima. Não pensemos que é uma quinta, cheia de infra-estruturas e máquinas agrícolas e afins. Não. É um espaço junto ao rio, para ser de fácil acesso onde existe por norma uma cabana e vive por norma uma pessoa que trata da chakra e que vive para ela. Têm normalmente a família na povoação a viver, mas quase não estam lá.
Regressados ao lodje, espero que anoiteça para observar os famosos “Caimanes”. Os nossos crocodilos.
Rio acima já noite escura, lanterna ligado o Dino procura nas margens mais arenosas do rio olhos dispertos e brilhantes que nos indicam a presença dos bichos.
Vou vos dizer que senti um bichinho na barriga e um pouco de tensão nesta viagem, mas como é lógico vou todo entusiasmado.
Os animais na selva nunca nos atacam de livre e espontânea vontade, por outro lado defendem-se quando se sentem ameaçados. Neste caso o perigo era os crocodilos assustarem-se com a nossa presença e fugirem e nós não lhes pormos a vista em cima. Foi quase o que aconteceu.
Do meio do leito do rio apercebíamo-nos dos olhares brilhantes mas aproximávamo-nos e eles já estava de baixo de agua. O barco aproximava-se da margem e só víamos os olhinhos deles a uns centímetros de distância, estavam mesmo ali na borda do barco. Sabia que estavam debaixo de mim… é uma sensação arrepiante e de alguma adrenalina. De repente desapareciam na água barrenta e nós ali mesmo em cima deles.
Ver ver, não deu para ver na perfeição, mas deu para sentir a presença dos “Caimanes” mesmo ali à minha beira.
Com uma lua cheia a reflectir no rio, regressei ao lodge em silêncio e pensativo a admirar tudo aquilo que o meu olhar absorvia e a minha mente processava. Só o barulho do motor de 60 cavalos me acompanhava.
Um breve momento de descanso antes do jantar, nas camas de rede do lodge, com a agitação de um grupo de miúdos que tinha acabado de colocar os primeiros pés na selva.
Daquilo que mais me fica são os sons da selva à noite. Sento me na porta do meu pequenino bungualow e ouço, não me canso de ouvir. Não sei se tenho medo, se estou relaxado e tranquilo. Acho que partilho de ambas as sensações.
É o som dos milhões de insectos, os gritos dos macacos e das aves nas árvores, são os rituais de acasalamentos dos animais da selva, são as folhas a receber as gotas de condensação da própria floresta, os roídos dos roedores que passam por aqui bem perto… tudo se mexe à minha volta, não estou sozinho.
 Estes sons que vêm de todos os lados e levam-me a viajar selva dentro. Historias, mitos e lendas passam me pela cabeça. Criam o ambiente propício para um breve momento de reflexão, de meditação. Dou por mim sentado à porta da cabana a divagar nos meus pensamentos. Sou assolado por saudade, por paixão, por amizade, compaixão… tenho os sentimentos à flor da pele.
Deito-me embalado e durmo descansado.











2 comentários:

  1. Hainda bais iscreber um libro. Eu fasso a curressão dos erros hurtogrãficos. Rui

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  2. oh pa isto é feito a correr nao da para muito mais... mas agradeço a correcçao..:) tiago

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